Homenagem póstuma ao Dr. e Prof. Davilson Soara.
Publicado em 30/04/2013

 

Davilson Soara nasceu em Sertãozinho, em 08 de março de 1964, filho de Francisco Soara Filho e Amélia Fumes Soara “inmemoriam”. De infância humilde, porém virtuosa, começou a trabalhar em tenra idade, na Usina São Geraldo.

Foi seminarista e cursou a Faculdade de Direito da Universidade de Ribeirão Preto. Cursou pós-graduação latu sensu em Direito Processual Civil.

Prestou 19 anos de serviço público nesta Casa, ingressando em 04 de abril de 1994, tornando-se Procurador Chefe, por sua elevada competência, em 20 de janeiro de 2004, cargo em que permaneceu até o encerrar de sua jornada aos 27 de abril do presente ano.

Casou-se com Ana Paula Ferreira de Menezes Soara, pai de três filhas, Júlia Soara, 12 anos e das gêmeas Sophia e Heloísa Soara, com 09 anos de idade.

Ministrou cursos no IBRAP – Instituto Brasileiro de Administração Pública, sempre com criatividade e brilhantismo.

Era um homem carismático, com personalidade marcante, típica de pessoas que assumem uma postura na vida, demonstram claramente suas ideias, seus objetivos e seus sentimentos. Foi um ser humano impossível de passar despercebido, despertava sentimentos fortes em todos seus relacionamentos e com isso marcou sua presença na vida de muitas pessoas.

Muitas vezes decepcionou-se com a natureza humana, mas nunca desistiu de acreditar nela. Ensinou, propagou e lutou pelos valores morais e éticos.

Era cheio de energia, ativo e com a excepcional capacidade de tirar serventia de qualquer situação, por pior que ela fosse.

Colocava a felicidade onde estava e fazia de tudo para irradiá-la ao seu redor.

Ensinava os valores da vida. Explicava que o único patrimônio com valor é o espiritual, intelectual e cultural, porque se perdermos esse, já não reconhecemos a nós mesmo e o resto não terá significado algum.

Dizia que o estilo de vida que o direito propicia tem caráter sacerdotal, pela devoção que exige e que essa oportunidade é real para aqueles que não se restringem em viver do direito e nem se limitam a viver o direito, mas sim para o direito.

Afirmava que esse comportamento confundia o trabalho com o lazer e assim, ele identificava sua vocação ao sentir felicidade naquilo que fazia.

Foi um homem vitorioso com muito orgulho de tudo que construiu e conquistou em sua vida, mas era também suficientemente humilde para continuar constantemente aprendendo.

A curiosidade o mantinha em estado de alerta captando tudo ao seu redor e colocando sua mente anos luz à frente de sua geração. Sua constante convivência, admiração e respeito aos jovens o mantinha atualizado e integrado socialmente, tanto que chegou a lecionar Catecismo e Crisma, irradiando o verdadeiro sentido do Cristianismo.

Mas não se continha apenas em saber. Precisava também passar adiante o que aprendia. Lecionava cursos de Administração Pública pelo Ibrap, chegando a publicar um livro, intitulado ROTINAS TRABALHISTAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Didaticamente e com muito entusiasmo sempre tinha novidades para contar, qualquer encontro com ele, por mais informal que fosse, acabava sendo rico de informações e ideias.

Era um eterno professor.

Aqui eu completo o que ele não dizia, mas estava implícito em seu comportamento. Nunca deixem de ter um sonho. Quando este se realiza é necessário encontrar outro.

 Nunca perdeu a oportunidade de manifestar o orgulho que tinha das filhas, da esposa e familiares.

Com seu falecimento pude testemunhar que ele realmente alcançou seu objetivo. Várias pessoas fizeram seu depoimento de quanto ele havia sido importante em suas vidas. Na nossa, paradigma profissional, sempre foi um amigo e companheiro. Até em seus últimos momentos lutou para desempenhar esse papel. Será sempre lembrado com carinho e como uma força vitalenergizante.

Foi um homem feliz até seus últimos dias, um ser humano exemplar, com verdadeira paixão pela vida, cuidando de si, de sua saúde e aconselhando os mais próximos a fazerem o mesmo.

Com seu jeito discreto, mas sempre de bem com a vida, em sua curta estada aqui na terra conquistou com certeza inúmeros amigos, admiradores, um legado de seguidores. Plantou muitas sementes que continuarão seu trabalho por uma infinidade de gerações e assim, ele continuará vivo em nossos corações.

A fé é como uma bússola que direciona os navios incertos para o mar da serenidade. Neste momento de despedida, é a fé que nos fortalece, para a continuidade de nosso cotidiano, entregando a Deus os nossos passos e tendo a certeza da existência da vida eterna, na Casa do Pai.

As pessoas boas não morrem, ficam encantadas”, disse Guimarães Rosa.

É assim, encantado, que permanece nosso Davilson. Seus gestos estão encantados e podem ser vistos em cada criança e em cada coração aberto, em cada um que teve a oportunidade de conhecê-lo.

Sua despedida nos remete a complexa mistura de pranto e riso. Nosso pranto é de dor e de saudade, mas a lembrança mais forte que nos deixa é de felicidade, comprometimento, honestidade, justiça, de amor ao próximo e de profissionalismo, de uma personalidade ímpar, inesquecível.

Será lembrado por todos porque soube ser amigo de todos, desde a criança até o idoso; e alegria de viver, de ensinar, foi sua lição deixada aqui na terra.

Foi integrante e participante ativo do Grupo de Nossa Senhora, sempre disposto a ajudar sua comunidade. Foi testemunho de fé, amigo de todos os sacerdotes da nossa Paróquia, atuante e fervoroso.

 Nós, colegas de trabalho da Câmara Municipal de Sertãozinho, tivemos o privilégio de testemunhar ao longo de muitos anos a sua competência e profissionalismo como um dos membros desta casa de leis.

 Sua perda é irreparável e, nos sentimos consternados diante do seu falecimento, ausência que para nós ultrapassa os limites da relação de trabalho, quando também compartilhávamos amizades e sonhos.

 Foi um profissional que zelava pela qualidade do seu trabalho, um filho amoroso, um irmão estimado, um pai preocupado e carinhoso com sua família e um amigo para qualquer situação. Pessoa de boa índole e respeitador.

Sua benevolência era explícita e peculiar no tratamento com o próximo e permanecerá na memória daqueles com quem conviveu.

Seus exemplos, seus ideais, suas expressões continuam vivas e perpetuadas no coração dos seus e como razão de vida, serve a todos.

Registramos o nosso pesar e a lacuna que ele deixa entre os amigos desta Casa, onde PARTICIPAR É A LEI, e ele, Davilsonparticipava.

Encerrou sua participação terrena em 27/04/2013.

Foi morar com Deus.

Religioso, vivendo de acordo com o que pregava sua fé, certamente foi acolhido por Nossa Senhora, de quem era devoto.

Aqui, teremos sua ausência física, mas ele seguirá conosco, eternizado em nossos corações.

Sua missão foi cumprida - siga em paz.

Um dia a saudade deixa de ser dor e vira história pra contar e guardar pra sempre. Algumas pessoas são assim, eternas, dentro da gente.

Que a sua grandeza de alma nunca seja esquecida, assim como seus atos, ações e palavras, pois viveu não para que sua presença fosse notada, mas para que sua falta fosse sentida.

Receba nossa homenagem, nosso carinho e nossa saudade, onde neste momento agradecemos de todo coração ao dedicado servidor, ao marido, ao amigo, ao pai Davilson Soara.

Muito obrigado.
– por AlexandreBaratela e Lívia Moura.

 

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