Unicamp tem quase 2 mil cadastros para programa de cirurgia bariátrica
Publicado em 13/03/2014

O Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgou um novo balanço do número de pessoas que se inscreveram no programa gratuito de cirurgia bariátrica, popularmente conhecido como redução de estomâgo, na quarta-feira (12). Segundo a unidade médica, foram 1.987 cadastros efetuados no Ginásio Multidisciplinar da universidade.

A triagem estava programada para terminar às 12h, mas por causa da grande procura algumas incrições ficaram para o período da tarde e oito pacientes tiveram que realizar os cadastros no ambulatório da unidade médica. O balanço inicial divulgado no início da tarde de quarta-feira pelo HC era de 1.280 pessoas cadastradas.

Os pacientes selecionados farão parte do grupo pré-operatório e passarão por uma preparação antes do procedimento, que deve ser feito em até seis meses. De acordo com a Unicamp, a fila de espera normal é de até quatro anos e duas mil pessoas esperam pela cirurgia no banco de dados da instituição. Serão selecionadas as pessoas que tiverem o Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou maior que 40 ou maior que 35 no caso de pacientes com doenças graves associadas, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, síndrome metabólica e apneia do sono. O IMC é calculado dividindo o peso em quilos pela altura da pessoa em centímetros elevada ao quadrado.

Iniciativa
A equipe de gastrologia da Unicamp tem como objetivo desenvolver iniciativas que permitam à população de Campinas e região ter uma chance mais pontual de combater a obesidade mórbida. "Muitas pessoas acreditam que a obesidade mórbida é uma questão de estética, e não é. É uma doença crônica e inflamatória, que causa outras doenças associadas e que, se não for tratada, pode levar à morte", explica o gastrocirurgião e coordenador do programa, Elinton Adami Chaim.

Chaim ainda afirmou que das pessoas que realizam a inscrição no programa, pelo menos 60% são encaminhadas para a cirurgia e o prazo para que elas realizem o procedimento é de até dois anos. "Depois de convocadas, essas pessoas fazem um acompanhamento de seis meses, com assistente social, psicólogos e só depois são encaminhadas para o procedimento", disse. Para fazer o procedimento, o paciente tem que perder pelo menos 10% do peso.
 

Quem pode operar
Os pacientes interessados em fazer a cirurgia bariátrica devem ter no mínimo 16 anos. O procedimento não é indicado para pessoas com sobrepeso, mas sim, estritamente, para pacientes obesos mórbidos. Segundo Chaim, a literatura demonstrou que, a longo prazo, pode ocorrer uma redução na expectativa de vida do indivíduo, de aproximadamente 15 anos. Além disso, os médicos observaram que para o paciente com sobrepeso não existe benefício que justifique a cirurgia. Pelo contrário, ele vai enfrentar riscos. O tratamento cirúrgico, segundo o médico, é a última opção.

Volta ao peso antigo
Cerca de 10% dos pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica voltam ao peso que tinham antes do procedimento, sendo que 2% voltam a ter obesidade mórbida. De acordo com o gastrocirurgião, a causa é falta de preparo psicológico e dificuldade de introdução de atividade física como um hábito de vida, como é recomendado pela equipe médica. Os pacientes devem passar por um acompanhamento médico pelo resto de suas vidas, porque precisam fazer reposição de vitaminas e carecem ainda de acompanhamento psicológico e nutricional.

Riscos
Em curto prazo pode ocorrer sangramentos, tromboembolismo pulmonar e infecções. Ao longo prazo, pode haver desnutrição, anemia e o aparecimento de novas compulsões. É o caso de pacientes que passam a ingerir uma grande quantidade de leite condensado, achocolatados, refrigerantes e bebidas alcoólicas.

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