Falta de fiscalização eleva riscos de queda de árvores, afirma bióloga
Publicado em 19/11/2015

Do G1 Ribeirão e Franca
 

A falta de manutenção da Prefeitura aumenta os riscos de queda de árvores em Ribeirão Preto(SP), afirma a bióloga Roberta Paolino. Convidada pela reportagem da EPTV a avaliar a cobertura vegetal em diferentes pontos da cidade, a especialista aponta problemas como o descuido com relação ao acúmulo de cupins.

Fatores que aumentam os riscos diante de vendavais, como os que chegaram a 75 km/h ederrubaram pelo menos 20 árvores na noite de terça-feira (17), segundo o Corpo de Bombeiros.
 

A Coordenadoria de Limpeza Urbana informa ter um trabalho de fiscalização constante e que prioriza os casos de extração e poda de acordo com o comprometimento das árvores. Prometeu ainda que haverá uma reavaliação geral em seis meses.

Falta de fiscalização
Em uma praça no bairro Alto da Boa Vista, zona sul da cidade, a bióloga notou uma árvore de grande porte com indícios da ação de cupins.

"O problema é que existe falta de uma fiscalização nas áreas verdes urbanas justamente para saber se essas árvores já têm uma idade, se a poda foi feita de forma adequada ou se tem algum cupim que está tornando essa árvore podre por dentro. Isso pode levar a uma queda numa ventania muito forte como a que aconteceu", afirma.
 

Na Avenida Nove de Julho, ela analisa que as sibipirunas no canteiro central parecem estar saudáveis, mas a administração municipal poderia ser mais eficiente na retirada de galhos que caem durante as chuvas. Um deles estava amarrado provisoriamente para não cair.

"Podemos perceber que vários galhos caíram, o que é uma situação normal em função da grande ventania que teve. Porém, os galhos que estão quebrados precisam ser retirados para não fazer peso na própria árvore. São árvores que precisam ser cuidadas e mantidas", diz.

Na Praça XV de Novembro, onde uma árvore de dez metros de altura caiu há uma semana, a bióloga reconheceu problemas em outra árvore, que acabou sendo envolta por outra espécie, uma figueira mata-pau.

Segundo ela, enquanto a estrutura externa parece saudável, a estrutura interna, que sustenta tudo, pode estar fragilizada.

"Havia uma árvore de grande porte e uma figueira mata-pau se instala, cresce bastante, vai abraçando a árvore até estrangular. Praticamente o que a gente consegue ver hoje é a figueira, que ainda tem vários anos de vida. Mas é importante avaliar a situação da árvore que está por dentro, que pode apodrecer e interferir no equilíbrio e no balanço."

O problema é que existe falta de uma fiscalização nas áreas verdes urbanas justamente para saber se essas árvores já têm uma idade, se a poda foi feita de forma adequada ou se tem algum cupim que está tornando essa árvore podre por dentro"
Roberta Paolino,
bióloga

Prefeitura
O coordenador de Limpeza Urbana, Marcelo Reis, afirmou que o departamento prioriza árvores que precisam ser retiradas de acordo com a urgência. As que não precisam ser extraídas ou podadas de imediato, segundo ele, entram para um cronograma com prazos que se estendem de 30 a 50 dias.

"Existe um pedido indiscriminado para extração de árvores por parte da população e ficamos a mercê de uma situação de que precisa extrair as que já estão condenadas e que correm risco de queda, as que podem aguardar um período e as que não serão extraídas", explicou.

Ele confirmou que em função das recentes chuvas a Prefeitura deve haver uma nova avaliação das árvores do município em até seis meses. "Talvez o que não era prioritário passe a ser prioridade", disse.

Reis afirmou ainda que a retirada das árvores demanda tempo tanto para avaliação ambiental quanto para o planejamento da operação, a fim de evitar transtornos como a paralisação do tráfego em vias públicas.

"Não é fácil parar um caminhão e uma equipe para fazer a extração de uma árvore de grande porte na cidade. Não é algo rápido que se faz da noite pro dia. Geralmente dura em torno de quatro horas dependendo da árvore", disse.

 

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